Monaural
Por que não me apreendes?
Não consegues perceber o quanto espero?
Por que teimas em ignorar minha porta aberta na madrugada?
Acaso terei deixado a luminária por demais velada e não me viu solícita?
Por que não me atende?
Acaso o som de minha voz te aliciando não tem força pra dobrar tuas esquinas?
Por que me compreendes?
Acaso terei aceitado a permuta entre meu corpo precipitado e minh’alma calma?
Por que não ficas?
Acaso meus gritos se esvaíram nas toadas que usei pra disfarçar minha ânsia?
Por quem?

